TAA - Um Método Terapêutico com Futuro 

 

TERAPIAS ASSISTIDAS POR ANIMAIS – Um métodoTerapêutico e educativo com futuro

 

Tiago Rodrigues (1)

 

Sendo uma ferramenta inovadora de acordo com o momento de auge científico que estão a ter estas terapias no âmbito internacional, não deixa de ter já dado provas da sua eficácia nas diferentes aplicações já ocorridas em vários países.Desde tratamentos com pessoas com diagnóstico de esquizofrenia, passando pela deficiência motora, até aos casos de tratamento de pessoas com cancro, tem sido possível avaliar de forma muito positiva o uso dos animais no tratamento das enfermidades humanas.Todos os participantes tiveram a oportunidade de observar um estudo científico e os respectivos resultados, realizado com pessoas com diagnóstico de esquizofrenia, mais precisamente com sintomas de psicose funcional.

 

É importante conhecer este exemplo uma vez que relata características bastante comuns à população acolhida nos Centros de Acolhimento Temporário, com a qual a PRAVI desenvolve um trabalho continuado e de longa duração.As pessoas com esta patologia apresentam afectação relevante no que concerne às relações pessoais, familiares e sociais. Têm transtornos do pensamento, alucinações e sintomas negativos que se repercutem nas relações sociais. Tratando-se de enfermidade mental com fases de grandes alterações, nomeadamente quanto ao seu estado anímico (comportamentos maníacos alternados com manifestações de euforia), manifesta-se na perturbação de conduta e em estados de profunda depressão aos quais se associam as alterações de pensamento e as ideias de morte.

 

Estima-se que em Espanha esta perturbação mental atinja entre150.000 a183.000 pessoas, tendo maior incidência nos homens, geralmente pertencentes a um nível sócio económico baixo e consumindo ao Estado cerca de 3 a 4% do PIB (que em Espanha rondará cerca de 41.086.050€) (3).Os sintomas mais frequentes deste tipo de síndroma de enfermidade mental são os seguintes: Alterações do pensamento, que consistem em ideias delirantes que o doente assume com tal convicção que as impõe às pessoas com quem convive, estendendo essa imposição a todo o meio cultural em que se enquadra.Alterações do estado anímico, como a depressão (situação de tristeza extrema, com falta deinteresse pela vida, angústia, prostração, sensação de incapacidade para realizar o que quer que seja, vontade de suicídio, incapacidade de reacção, estados persistentes de euforia, insónia, hiperactividade e alterações de pensamento e de comportamento).Alterações ao nível sensorial, como a incapacidade para ouvir ou, por outro lado, a sensação de ouvir coisas que não são ditas ou barulhos e ruídos inexistentes.Alterações neuro cognitivas, sendo as mais frequentes a incapacidade de concentração, de atenção, de ordenamento do pensamento e o uso de memória.Alterações de conduta e de controlo de impulsos, contrariando em todos os seus comportamentos as regras sociais ou institucionais.Todas estas alterações conduzem obrigatoriamente a uma ausência das faculdades e potencialidades tidas como normais para que uma pessoa possa pensar com claridade, ter capacidade de iniciativa e construir projectos pessoais, bem como firmar propósitos.

 

Como consequência destas alterações funcionais, podemos percepcionar nestas pessoas fortes restrições para uma sã actividade, repercutida em questões tão básicas como o asseio pessoal(incapacidade de tratar da sua higiene, de ter bons hábitos, de tratar cuidadosamente do seu vestuário, afectando gravemente a sua saúde e a sua imagem social), a autonomia pessoal(incapacidade de gerir o dinheiro, a casa, a alimentação e outras actividades da vida quotidiana), o controlo da sua conduta (tendo, em situações de stress, comportamentos inapropriados e estranhos), a capacidade de ter iniciativa e motivação (dificuldade de desenvolver e de construir projectos de vida viáveis com implicações em projectos sociais e colectivos), as relações interpessoais (as suas relações são escassas, a rede social é pobre e, especialmente nos momentos em que os sintomas são mais activos, correm o risco de cair em situações de derivação social e isolamento), o acesso a serviços de saúde, sociais, de atendimento social (devido à dificuldade de relação social, aos tratamentos pouco motivantes, à falta de consciência da sua doença ou pura e simplesmente desconhecimento), as dificuldades de boa gestão do seu tempo livre e actividade laboral (dificuldades em aceder ao trabalho e à sua manutenção), as dificuldades em participar em acções associativas, políticas e de defesa dos seus direitos.

 

Para um problema com estas dimensões, os projectos de recuperação poderão ser os mais variados, desde um projecto pessoal bem cimentado (capaz de suster as recaídas periódicas, as dificuldades no acesso ao mercado de trabalho, as dificuldades de sustentação de uma rede social de maneira autónoma, as dificuldades de independência nas actividades da vida quotidiana, as dificuldades de dependência relativamente à família), até ao internamento numa unidade hospitalar (com dispositivos de saúde desenhados para cumprir as funções integradas de tratamento, reabilitação e contenção e com a preparação adequada para hospitalização prolongada), com a capacidade de satisfazer as suas necessidades através do acesso aos serviços básicos do Estado, do acesso aos tratamentos e às técnicas activas de reabilitação psicossocial, com o apoio económico apropriado e apoio à integração social, facilitação de acesso ao mundo laboral, defesa dos seus direitos e apoio às famílias.Neste estudo, foi experimentado um tratamento de terapia integrada para a esquizofrenia, assistido por cães.

 

Designação do projecto

 

"Terapia integrada para a esquizofrenia assistida por cães".

 

Dados epidemiológicos

 

Os dados estatísticos apontam para que em Espanha 1 em cada 10.000 habitantes sofra de esquizofrenia. Dois em cada três doentes evoluem para a cronicidade.Esta doença incide sobre 1% da população total do país.

 

Sintomas

 

Alucinações, delírios, distorção da realidade, falta de socialização, deficit de atenção, de memória de trabalho, de funções executivas.

 

Motivações para a concretização do projecto (estudos prévios):

 

A capacidade de resposta ao stress é mais eficaz nos proprietários de animais do que nas pessoas que não os têm.

 

A pressão arterial e a concentração de neuro transmissores no sangue são reduzidas depois de estar em contacto com um animal de companhia (Stasi, 2004; Odendaal, 2003).

 

As crianças com animais de companhia parecem ter um melhor desempenho social (Poresky, 1990).

 

Os adultos que têm animais de companhia utilizam menos os serviços de saúde do que os que não os têm (Siegel, 1990).

 

Os cães parecem detectar mediante o olfacto estados de hipoglicémia e de cancro de uma forma fiável (Chen, 2000; McCulloch, 2006).

 

Resultados já obtidos através deste tipo de tratamento:

 

- Barak, 2001: “Melhoria das capacidades sociais – interpessoais e tendência à melhoria das capacidades instrumentais da vida quotidiana”.

- Nathans-Barel, 2005: “Adesão ao agradável e percepção da qualidade de vida”.

- Mayol-Pou, 2002: “Redução da gravidade da sintomatologia negativa”.

- Kovacs, 2004: “Melhoria das actividades da vida diária e do auto cuidado”.

- Barker, 1998: “Maior redução da ansiedade depois de participar numa sessão de TAA do que numa sessão de apoio emocional”.

 

Resultados e Conclusões

 

  • A TAA reduz os sintomas negativos e é um catalisador social;
     

  • A TAA é um potente estímulo e reduz as incapacidades;
     

  • Todos os estudos envolvendo aplicação de programas de TAA sugerem resultados positivos;
     

  • A TAA tem grande adesão;
     

  • A TAA nunca deve ser uma terapia independente ou auto-suficiente, mas sim um programa complementar às intervenções habituais;
     

  • A principal limitação da TAA é a pouca quantidade de estudos rigorosos que avaliem a sua firmeza enquanto alternativa a outras formas de terapia.
     

  • Todos os gráficos que ilustram a avaliação de resultados demonstram melhorias nos pacientes em todas as áreas de intervenção; assim, em 7 sessões, devidamente planificadas e desenvolvidas ao longo de 16 etapas, foi possível observar melhorias graduais e significativas aos níveis da: auto estima, conduta social, relação social,autonomia de vida, sintomas negativos.
     

  • Verificaram-se melhorias na saúde física e psicológica. É possível retirar as seguintes conclusões: O uso de animais em programas terapêuticos deve ser apoiado; houve melhorias nos pacientes que integraram o programa de TAA.
     

  • Obviamente que as crianças e jovens em situação de risco estão muito vulneráveis e em condições favoráveis de adquirir este tipo de patologia mental, ou outros com características semelhantes. Por isso é muito importante uma intervenção rápida para que mais facilmente seja possível recuperar a sua saúde mental e física.
     

  • Não sendo possível ter a preparação mais adequada para cada caso de ingresso nos CAT, faz todo o sentido, pela simplicidade da sua aplicação e uso, pela facilidade de adesão por parte das crianças e dos jovens ao trato com animais, o desenvolvimento de um projecto desta natureza, cujos resultados poderão ser altamente positivos para os beneficiários.

 

A PRAVI tem desenvolvido nestes últimos anos um conjunto de objectivos cujo valor e resultados têm sido benéficos para as crianças e jovens acolhidos em CAE, que assimilam uma série de competências que podem ser observadas nas suas vidas pessoais.

 

A Equipa de Técnicos da Pravi tem, sobretudo, feito um esforço de inserção dos utentes no meio escolar, de aproveitamento e rendimento escolar e de interacção social. A realização de actividades de âmbito cultural e recreativo, a persistência e regularidade na preparação das actividades escolares, a avaliação quotidiana dos seus comportamentos, a intervenção em tempo útil na resolução dos conflitos tão comuns em crianças e jovens, a realização de sessões de TAA de forma regular e persistente, a realização de sessões de AAA, têm sido meios educativos producentes, extraordinárias formas de intervenção na vida destas crianças e jovens, que lhes têm proporcionado melhorias incríveis na forma de se relacionarem com os pares, na forma como olham a escola e a autoridade, o aumento do respeito por si próprios e pelos outros, evitam quase por completo a colocação da sua vida em perigo, eliminando consumos de drogas, fugas da instituição, comportamentos violentos, companhias desadequadas, descobrem novos interesses e formas positivas de ocupar o tempo e, em situações de sofrimento e trauma pessoais, é notória a capacidade de abordagem de assuntos muito dolorosos e causadores de perturbações internas. A partilha com os técnicos, pela presença dos cães e a desinibição que proporcionam, liberta-os da tensão, do stress, do medo de falar e de pedir ajuda.

 

Uma criança ou um jovem afectado pelo perigo do abandono e exposto aos riscos que esse abandono acarreta, só é diferente dos nossos filhos por ser vítima dessa injusta exposição e estar à mercê de todas as perversões sociais que conhecemos.

 

Havendo estudos científicos que revelam a eficácia da TAA, ela torna-se uma mais valia para todos os que colaboram na recuperação destas pessoas e é um mecanismo muito mais acessível para aquelas crianças e para aqueles jovens que já perderam toda a confiança nas pessoas.

 

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é um processo terapêutico que envolve terapeuta, animal e treinador, com um nível de rigor científico determinado e com objectivos previamente assinalados e orientados pelo terapeuta. Por outro lado, temos a Actividade Assistida por Animais (AAA), que são actividades de carácter lúdico, com possíveis resultados terapêuticos, mas sem necessidade de cumprir qualquer rigor científico. Em ambas as situações, temos a presença de um animal, que é um estímulo multi sensorial capaz de chamar poderosamente a atenção dos educandos, tornando-os colaboradores activos nas terapias propostas pelos técnicos e desenvolvendo em simultâneo as suas capacidades de interacção e optimizando as suas atitudes. Quanto mais aperfeiçoado e rigoroso for o treino do cão de terapia ou de actividade, mais complexo poderá ser o exercício e mais notável será a captação de atenção do educando ou do aluno, tornando-se possível manter a concentração e a atitude positiva até ao fim. Também a excitação positiva motivada pela presença do animal, fomenta por si própria a expressão das emoções, sentimentos e capacidade de comunicação.

 

De resto, a intervenção com animais nos processos educativos e o ensino do respeito pelos mesmos é o melhor ponto de partida para educarmos os jovens e as crianças a respeitar os outros seres humanos. Para o aluno/ educando, o animal torna-se um modelo e o seu cúmplice. O animal escuta-o e não o julga.A adesão de todos a este projecto e a cooperação no desenvolvimento das actividades a propor neste âmbito será uma condição “sine qua non” para a obtenção do seu sucesso. À semelhança das experiências aqui relatadas e de muitas outras que conhecemos, é nosso dever aderir e colaborar visando melhorar o nosso contributo nesta difícil tarefa da reinserção social e promoção da vida humana.

 

Todos podemos dar o nosso contributo, mesmo aqueles que não trabalham directamente com as crianças e jovens em situação de risco. Podemos ajudar divulgando estes novos projectos, dando-os a conhecer a todos os que trabalham com idosos ou com pessoas com outras problemáticas, ou simplesmente apoiando as associações que trabalham na defesa dos direitos dos animais – quanto mais não seja através da adopção de um animal que precise de ser acolhido – pois que é por eles, com eles e através dos novos conhecimentos que vão sendo obtidos acerca das suas faculdades, que surgem estes novos desafios.

 

(1) Educador Social no Centro de Acolhimento de Emergência – Casa da Alameda; Terapeuta da PRAVI (TAA/ AAA)(2) Phil Arkow (E.U.A.): Professor e director do Colégio de Harcum e do Colégio Camdem Country. Director dos programas de Vínculo Hombre – Animal da American Humane Association. Director do projecto de prevenção da violência da Lathams Foundation. Ou Tammy Renaud (E.U.A.): Terapeuta Ocupacional da Universidade do Texas. Coordenadora de programas de terapia assistida com Animais de Hope Therapy e Master em Psicologia pela Universidade de Houston. Teo Mariscal (Espanha): Presidente da Fundação Bucalán. Director de programas de TAA em Espanha, Colômbia e Japão. Docente e colaborador em diferentes universidades em todo o mundo e instrutor/ formador da Real Sociedad Canina de España.Francesc Ristol (Espanha): Director da Fundacion Bocalán Catalunha, coordenador de programas de TAA na Catalunha e Codirector do Programa Estatal de Terapia Asistida com animales – Cuerpo de Carabineros, Chile. Juan Rozas Reymond (Chile): Instrutor de cães de assistência. Técnico em Terapia Assistida com Animais. Joana Bettencout (Portugal):Psicóloga do Centro de Recursos, CERCICA, Responsável do projecto “Terapia com cães na deficiência intelectual”. Victoria Villalta (Espanha): Psicóloga do departamento de saúde mental no Hospital San Joan de Déu, Barcelona. Eva Domenec (Espanha): T.A.A. Fundação Bocalán Adriana Ávila: Professora de terapia ocupacional na Faculdade de Ciências e Saúde da Universidade da Coruña. Directora de terapia assistida com animais da Galiza. Peter Gorbing (Inglaterra): Presidente de ADI/ADEU. Director da dogs for the Disabled (UK). Claire Guest (Inglaterra): Responsável pelo projecto “Cães detectores de cancro. Dogs for the dead” (UK). Cancer Project UK. Fidos for Freedom Inc, Programa D.E.A.R. Natalia Perez (Espanha):Psicóloga clínica, especialista em violência doméstica, trabalhadores sexuais e grupos marginalizados. Directora terapêutica do Projecto TAO (Terapia con Leones Marinos de la Fundacion Rio Safari). Barbara Bustos (Chile): Fisioterapeuta Kinesiologa, coordenadora de Terapia Assistida com Animais do Centro de Reabilitação CRICAR (Carabineros de Chile). Santiago de Chile. Adriana Avila: Terapeuta Ocupacional. Professora de Terapia ocupacional da Faculdade de medicina Física da Coruña.(3) Dados fornecidos pela “Fundatio Sant Joan de Deu”, in “El animal”, Francesc Ristol (Fundación Bocalán).

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